Na sessão que analisou a denúncia de assédio sexual contra o vereador João Carlos, a vereadora Ironeide Investigadora foi a única mulher da Câmara Municipal de Machadinho D’Oeste a votar pela cassação do parlamentar. As demais vereadoras presentes — também mulheres — votaram para mantê-lo no cargo, mesmo diante de uma acusação grave de assédio envolvendo outra mulher.
Segundo o processo de apuração, João Carlos teria desviado a rota do carro particular durante o expediente e levado sua assessora até uma plantação de milho, onde disse: “Vamos viver uma aventura”. No local, conforme relato da vítima e admitido pelo próprio vereador, ele tocou em seu joelho sem o seu consentimento, ação que só foi interrompida quando ela afirmou ter ligado o GPS do celular.
A vítima relatou ainda que, após o ocorrido, sofreu ameaças para que não denunciasse o caso. Mesmo com os elementos apresentados, a maioria dos parlamentares optou pela absolvição de João Carlos, ignorando o clamor popular.
Durante a sessão, foi possível ouvir gritos de protesto vindos da plateia com frases como: “São todos farinha do mesmo saco!”, “Queremos justiça!” e “Se a vítima fosse da sua família?” — expressando a indignação popular com o resultado da votação.
Segundo bastidores políticos, o “conclave” dos vereadores já estava articulado antes mesmo da sessão começar, e a decisão de manter João Carlos no cargo já estaria previamente acertada entre os parlamentares.
O resultado da votação gerou grande repercussão e foi interpretado por muitos como um ato de conivência e impunidade diante de uma acusação séria. O caso agora seguirá para a Justiça comum, onde o vereador será julgado criminalmente por assédio sexual.
A vereadora Ironeide, única voz feminina a se posicionar a favor da cassação, lamentou a decisão dos colegas e declarou:
“É revoltante ver que, mesmo com provas e a dor de uma mulher sendo exposta, preferiram proteger um colega. Se calar diante disso é ser cúmplice.”







