
@ O IBGE divulgou nesta sexta-feira (06) que o aumento do preço da carne foi o grande vilão que fez com que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegasse a 0,51% em sua variação no mês de novembro, o maior em quatro anos. A média de 8,09% foi alta no mês passado e a carne contribuiu com 0,22% com o resultado que apontou no índice geral mais de 40%.
Na balança do açougue o valor já está bastante alterado de acordo com a procura e demanda, porém ainda havia uma explicação genérica e comum, onde apontasse que a exportação da carne para a China é um reflexo dessa celeuma, porém com restrições a alguns cortes, essa semana praticamente todos entraram no mesmo balaio do aumento de preço.
Entre setembro e outubro as exportações para China aumentaram (+110%), Rússia (+694%) e Emirados Árabes (+175%) ao fazer um comparativo com o mesmo período do ano passado, segundo a associação que representa os frigoríficos, a Abrafrigo.
O economista Aroldo Vasconcelos, especialista em agronegócio aqui em Rondônia, em relação as dúvidas sobre a origem do aumento do valor da carne segue a mesma linha de raciocínio. Em entrevista ao site O Rondoniense ele ressaltou que o preço da arrouba do boi no mercado está sendo puxado pelas relações comerciais externas.
“Então o Brasil faz tempo que produz bastante proteína animal para diversos países e nesse segundo semestre de 2019 tiveram um fator surpresa com a China, um dos maiores parceiros comerciais nesse setor. Ocorreu um problema de sanidade com o rebanho de porcos, os suínos de lá deixaram de ser sadios. E a China se obrigou agora, entre setembro e outubro, para não ter desabastecimento de proteína no país, que é um país que tem mais de um bilhão de pessoas, eles queimam as reservas deles fazendo as compras para ajustar o estoque nesse final de ano, o resultado é o aumento da exportação de carne bovina”, apontou o economista.
Aroldo esclareceu ainda que além da China o Brasil vende a um preço muito mais superior do que esse do mercado interno para outros países como Egito, Chile, Irã, Estados Unidos da América, Itália e os países baixos.
“Holanda acaba pagando um valor bastante superior na hora de fazer o comércio internacional. Apenas para ficar com o caso da China nos últimos 15 dias eles estão pagando aos frigoríficos que fazem exportação de carne até R$ 360,00 pela arrouba do boi” disse Aroldo.
O grande atrativo, segundo ele, é a qualidade da carne brasileira, que tem um peso muito grande e é valorizada. “Principalmente essa produzida no Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia. Essa carne do Mato Grosso, assim como do Pará, quem já comercializa com o Brasil sabe que a carne é de excelente qualidade. Então, no final do ano a gente tá vendo o acréscimo dos produtos ou dos preços aqui em razão disso, mas quem tá puxando a elevação é exatamente a China, que do rol dos países que comercializam com o Brasil além do potencial de consumo bastante elevado eles são ricos”, completou.
Aroldo ressaltou que a China, na realidade, está ajustando esse final de ano de 2019 com estoque para a sua população e é importante saber que isso faz com que os preços no mercado interno também acabam elevando, porém, advertiu ele, não ao preço de R$ 360,00 como no caso com a comercialização com a China.
“No Brasil já estão vendendo o ‘boi gordo’ internamente a R$ 211,00 o preço da arrouba, está aí a razão pela qual nós estamos vendo no final do ano a elevação dos produtos, pois o produtor tá ganhando, o pecuarista tá ganhando, os frigoríficos e abatedouros também e quem lida com o comércio internacional. Isso é economia, ajuste de mercado interno e mercado externo, oferta e a procura, quem regula é o mercado”, concluiu o economista.
Fonte: O Rondoniense



