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Lhamas apreendidas no Acre seriam levadas para a Rondônia Rural Show, diz proprietário

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As lhamas apreendidas no Acre na última quarta-feira (20) estavam sendo levadas para a Rondônia Rural Show, em Ji-Paraná (RO), segundo o empresário Wellington Vieira de Araújo, proprietário dos animais. Em entrevista ao g1, ele afirmou que parte das lhamas nasceu no Brasil e negou que os animais tenham origem ilegal.
➡️ Contexto: o caminhão boiadeiro foi interceptado na BR-364, no Acre, durante uma fiscalização da Polícia Militar e da Polícia Federal. Segundo as autoridades, os animais estavam sem Guia de Transporte Animal (GTA), documentação sanitária e autorização de importação. A PF também investiga a suspeita de que as lhamas tenham vindo da Bolívia ou do Peru. Já a PM informou que o veículo passou pelo posto de fiscalização sem realizar os procedimentos obrigatórios e fugiu da abordagem.
Wellington explicou que havia enviado os animais anteriormente ao Acre para divulgação e venda, mas decidiu retornar com eles para Rondônia após conseguir espaço na feira agropecuária. Segundo o empresário, as lhamas estavam sendo apresentadas em cidades e eventos para divulgar a criação dos animais.
“Eu tinha mandado elas para o Acre. E daí, como o pessoal abriu espaço para mim na Rondônia Rural Show, aí eu estava retornando com elas para trazer para a Rondônia Rural Show”, afirmou.
O empresário confirmou que os animais estavam sem a Guia de Transporte Animal (GTA), mas disse que discorda da forma como o caso foi tratado pelas autoridades. Ele também negou que as lhamas tenham entrado ilegalmente no Brasil pela Bolívia ou pelo Peru.
“Eu realmente deveria ter tirado o GTA, porque se eles alegam, eu era ciente disso. Mas, legalmente, eu não tenho lei que ampara isso deles”, afirmou.
Wellington já havia enfrentado uma situação semelhante em setembro do ano passado, quando uma carga com alpacas e lhamas foi apreendida em Assis Brasil, no interior do Acre. Os animais haviam sido trazidos do Peru.
Na época, os animais ficaram retidos por falta da documentação exigida. O empresário denunciou o caso ao Ministério Público Federal do Acre (MPF-AC) e alegou que a entrada da carga foi impedida porque não havia auditor fiscal disponível na alfândega de Assis Brasil para liberar os animais. A carga foi liberada após 16 dias, depois de uma decisão liminar da Justiça.
À Rede Amazônica Acre, Wellington afirmou que parte dos animais apreendidos nesta semana são filhotes das lhamas que ficaram retidas em Assis Brasil no ano passado e nasceram já em território brasileiro. Segundo ele, os demais animais faziam parte da carga importada legalmente em 2025.
“Esses animais que estão lá presos agora, eles são animais nacionalizados alguns no Brasil, já que foi oriundo da primeira importação. E os outros animais são animais que nasceram em casa, os novinhos”, relatou.
O empresário informou ainda que possui um rancho em Alvorada do Oeste (RO), onde cria alpacas, lhamas, caprinos e ovinos. Ele afirma que os animais têm origem comprovada e que tenta recuperar a guarda deles na Justiça.
“Tem uma lei que fala que esses animais são isentos de controle. Nasceram aqui em Alvorada do Oeste, são meus, já encaminhei a documentação para o juiz. Está tudo correto e aguardamos seguir os trâmites da Justiça para a gente fazer a restituição”, declarou.
O caso segue sob investigação da Polícia Federal.
Os animais seguem em uma propriedade rural na Estrada de Porto Acre sob os cuidados da ONG Patinha Carente. A 1ª Vara da Justiça Federal no Acre informou que a destinação dos animais deve ser determinada esta semana para que a situação seja resolvida da melhor forma possível, prezando pelo bem-estar dos animais.
Na sexta-feira (22), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) informou, por meio de nota, que o caso passou a ser tratado no âmbito da esfera federal, cabendo ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) definir quais medidas administrativas e sanitárias são aplicáveis ao caso. O Ministério Público Estadual (MP-AC) também acompanha a situação.
Ainda conforme o empresário, para os animais transitar em território nacional após a importação é necessário somente um atestado veterinário de que estão sadios. Ele diz que possui autorização para importar os animais.
“Alguns são da importação passada. A origem dele é importada, tenho autorização para fazer a importação, já fiz uma ano passado. Esses animais que estão presos lá [Acre] são nacionalizados, alguns no Brasil, oriundos da primeira importação, e outros nasceram em casa [em Rondônia]. Tem dois que estão na mamadeira, estava guardando para levar para a Rondônia Rural Show”, disse.
Wellington afirmou ainda que os animais não deveriam ter sido apreendidos e que enviou a documentação exigida para a Polícia Federal.
“Liguei para o delegado na hora da apreensão falando que os animais têm documentos. Ele ignorou, queria a nota fiscal de origem. Mandei com a data do ano passado, a nota fiscal de importação. Não quiseram, disseram que os animais eram ilegais, tentei argumentar, falei que se quisessem outra nota fiscal eu emitiria. Fiz isso cedo na quinta-feira (21). O delegado atropelou tudo e mandou para o juiz. Estamos fazendo a defesa”, argumentou.
Animais eram transportados em um caminhão boiadeiro que saiu de Brasiléia, no interior do Acre, e foram apreendidos na noite dessa quarta-feira (20).

Animais eram transportados em um caminhão boiadeiro que saiu de Brasiléia, no interior do Acre, e foram apreendidos na noite dessa quarta-feira (20) — Foto: Polícia Federal

Fonte: Jaru Online

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