
Três anos depois de terem o filho espancado e morto na frente de uma boate, os pais de Douglas do Nascimento ainda lutam para que os responsáveis pelo crime sejam julgados e presos em Ji-Paraná (RO).
Entre os suspeitos de espancar a vítima estão dois seguranças e um policial militar. ‘Ainda temos esperança que os suspeitos irão a júri popular’, diz pai. Cleudimar Divino do Nascimento e Irene Numinado Ruella do Nascimento, pais de Douglas, relembram que na noite do di 29 de janeiro de 2015 o filho passava as férias da faculdade na casa dos pais, quando decidiu sair com alguns amigos até Ji-Paraná para uma festa em uma casa noturna.
Na ocasião, o jovem se envolveu em uma briga dentro da casa noturna e, algum tempo depois, foi retirado do local. Os amigos dele só o encontraram no fim da madrugada do dia seguinte, por volta das 5h, caído em uma rua a cerca de 200 metros de distância da boate.
O jovem estava de desacordado e tinha marcas de espancamento na cabeça. Foi socorrido e, na noite do dia 30 de janeiro, encaminhado à capital, onde ficou na UTI, mas não resistiu a um traumatismo craniano.
Três anos depois da perda do filho, os pais não perdem a esperança de que a justiça será feita, também começa a ficar mais vaga, assim como o número de provas que leva aos suspeitos.
Para Cleudimar, todo o processo investigação demorou muito tempo e muitas provas que poderiam ter sido cruciais acabaram se perdendo com o tempo. “As mudanças de delegados, a dificuldade em achar as testemunhas e também a falta imagens de circuito de segurança que poderiam ter facilitado tudo isso, dificultaram ainda mais o processo. Muitas provas que, com certeza existiam, acabaram se perdendo com o tempo. Mas, ainda temos esperança que os suspeitos irão a juri popular”, acredita.
Inquérito e julgamento
O inquérito do caso foi finalizado em 2017 pela Polícia Civil e denunciado ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO).
Ao G1, o MP informou que três pessoas foram denunciadas ao Poder Judiciário. Entre os suspeitos, dois deles eram os seguranças da boate no dia do crime e o terceiro é um policial militar.
Por meio de nota, os advogados do policial militar Claudio Ferreira de Souza, um dos suspeitos de participar das agressões à vítima, afirmam que “o acusado sempre negou qualquer autoria ou participação no crime e que a prova pericial e prova testemunhal colhidas pelo Juízo durante instrução processual corroboram com isto”.
O pais lamentam o envolvimento de policial no crime, mas acreditam que tudo aconteceu de forma pensada. Segundo o processo do caso no Tribunal de Rondônia (TJRO), os suspeitos e testemunhas foram ouvidos em outubro de 2017. Agora são feitas diligências requeridas pelo MP-RO em alegações finais e depois o processo será encaminhado ao juiz para decidir se vão os seguranças e o policial ou não a júri popular.
Saudade e homenagem
Mesmo com um sorriso do rosto, os pais contam que a dor de perder o filho não diminuiu em três anos. “A falta dele, em momento algum, eu consegui acalmar isso no meu coração. Agora o que eu acredito e me agarro à esperança é que estas pessoas vão a júri popular”, explica o pai.
A mãe guarda com carinho a placa de formatura da turma do filho, que estava no penúltimo semestre do curso de odontologia quando foi morto.
Em homenagem à vítima, os colegas da faculdade deram o nome dele à turma. “A gente sabe que não são todos. Mas é triste pensar que uma pessoa que nós deveríamos confiar para nossa segurança, está envolvido em um crime como este”, afirma a mãe. “Eles bateram apenas na cabeça do meu filho, não foi uma briga, foi algo profissional, eles sabiam o que estavam fazendo”, acredita o Cleudimar.




