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Campeã brasileira de crossfit ‘abre mão’ da cintura fina por esporte

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Dona do título nacional na categoria 38-44 anos, Marília Ferreira ignora padrão estético imposto pela sociedade, e celebra eficácia do seu corpo musculoso, eficaz e essencial dentro do seu esporte

 

Por Cleber Akamine, Ribeirão Preto, SP

 

 

Marília Ferreira conquistou o título brasileiro de crossfit na categoria 38-44 (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)Marília Ferreira conquistou o título brasileiro de crossfit na categoria 38-44 (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)Marília Ferreira conquistou o título brasileiro de crossfit na categoria 38-44 (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)

Filha do técnico de basquete Lula Ferreira, ex-Brasília, Ribeirão Preto e seleção brasileira, Marília Ferreira foi nascida e criada no ambiente esportivo. Desde criança, junto com sua irmã, foi incentivada a praticar ao menos duas modalidades diferentes. “Variedade de experiências motoras, dizia o pai”, lembra ela.

Marília fez de tudo um pouco. Passou, obviamente, pelo basquete, mas a intimidade com a bola laranja não foi herdada do pai. Lutou judô, fez natação, jogou futsal, praticou corrida e musculação, e fez triathlon, até encontrar o crossfit. 

Vaidade: Marilia Ferreira tem mais de 40 tatuagens espalhadas pelo corpo: Vaidade: Marilia Ferreira tem mais de 40 tatuagens espalhadas pelo corpo: Vaidade: Marilia Ferreira tem mais de 40 tatuagens espalhadas pelo corpo: “Perdi as contas” (Foto: Cleber Akamine)

Aos 34 anos, em outubro de 2013, a baixinha de 1,60m viu sua vida se transformar em meio aos burpees (exercício tradicional do crossfit). As baladas não tinham a mesma graça, o casamento já não fazia sentido, e o corpo, que já era atlético, ganhou algumas “doses” de tônus muscular. O pescoço sumiu e a “cintura feminina”, que gosta e admira, sucumbiu à força do abdômem.

– A mulher nunca está satisfeita com o próprio corpo. Às vezes eu me pergunto: tem algo que incomoda? Não tem algo específico. Eu sou uma mulher com cintura quadrada por causa do abdômem. Incomoda? Não incomoda, mas eu preferia ter uma cintura feminina – declarou Marília Ferreira, que passou a admirar as belezas anatômicas, frutos de um esporte que foge dos padrões de beleza impostos pela sociedade. 

Marília Ferreira pesava 52kg antes do crossfit, e teve que ganhar mais 12kg para melhorar seu desempenho (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)Marília Ferreira pesava 52kg antes do crossfit, e teve que ganhar mais 12kg para melhorar seu desempenho (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)Marília Ferreira pesava 52kg antes do crossfit, e teve que ganhar mais 12kg para melhorar seu desempenho (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)

Marília Ferreira sempre chamou atenção pela boa forma, e causou espanto quando apareceu, após alguns meses de dedicação ao crossfit, ainda mais musculosa.

– Meu corpo tem uma função dentro do esporte. Hoje eu entendo que não vou ter cintura fina. Pela genética e pela modalidade que faço, estou feliz. Sou realizada como atleta, quero buscar o bicampeonato brasileiro. Com meu corpo, estou satisfeita. A estética acaba sendo consequência – comentou a atleta de Ribeirão Preto, que no dia 27 de agosto conquistou o Torneio CrossFit Brasil, considerado o campeonato brasileiro da modalidade, disputado em Valinhos.

Mais forte, mais pesada

 

A transformação corporal de Marília Ferreira foi além da aparência. Dos 52kg que ela tinha, com o esporte foram acrescidos outros 12kg, sendo a maioria de músculo, levando-a ficar com 64kg. O ganho de peso, com acompanhamento nutricional, foi um choque para a família Ferreira. A mãe torceu o nariz, e o pai se preocupou com a saúde.

– Foi uma transformação que demorou um ano e três meses. Eles estranham muito. “Nossa, você tem que ficar assim?”, perguntava minha mãe. O crossfit deixa o corpo masculino. Usamos muito os membros superiores, o pescoço ficou grande, o trapézio. Agora eles acostumaram – comentou. 

Pais de Marília Ferreira apoiam a entrega da filha no crossfit (Foto: Divulgação)Pais de Marília Ferreira apoiam a entrega da filha no crossfit (Foto: Divulgação)Pais de Marília Ferreira apoiam a entrega da filha no crossfit (Foto: Divulgação)

Apoio dos pais

Por causa da agenda lotada, o pai e coordenador técnico do Franca Basquete, Lula Ferreira, não consegue acompanhar as competições de Marília Ferreira. O apoio, porém, é irrestrito. Por telefone, os contatos pré e pós-prova são constantes.

Vivido no esporte e com conhecimento de causa, Lula entende a luta e dedicação da filha. O pai é daqueles que, quando Marília desmarca os encontros com a família, além de apoiar, passa dicas para que ela alcance os melhores resultados.

– Ele fala para eu não extrapolar o meu limite. Se eu sentir qualquer tipo de dor, é para não arriscar. Ele fica muito feliz. Ele entende o fato de abrir mão de estar num compromisso familiar. Ele se preocupa, mas fica feliz ao mesmo tempo. 

Armando é fundamental na carreira de Marília Ferreira (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)Armando é fundamental na carreira de Marília Ferreira (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)Armando é fundamental na carreira de Marília Ferreira (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)
 

Pessoal e profissional

A transformação na vida de Marília Ferreira também mexeu com seu coração. Os treinos e competições a aproximaram do técnico e namorado Luiz Armando Alesse da Costa, ou simplesmente Armando. Além de acompanhá-la na rotina atlética, a presença nos momentos mais difíceis dos torneios faz com que ela alcance melhores resultados.

– Ele me ajuda muito. Conseguimos, na troca de olhares durante uma competição, trocar energia. Existe sintonia. Ele me dá força para que eu consiga dar o meu melhor – afirmou. 

Marília Ferreira gostaria de ter a cintura fina, mas prefere assim, forte, cumprindo uma função desportiva (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)Marília Ferreira gostaria de ter a cintura fina, mas prefere assim, forte, cumprindo uma função desportiva (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)Marília Ferreira gostaria de ter a cintura fina, mas prefere assim, forte, cumprindo uma função desportiva (Foto: Divulgação/Ju Mingossi)

Feliz com o corpo, ainda mais feliz com os resultados

Marília Ferreira não espera voltar aos 52kg. Embora veja beleza, entre a estética padrozinado pela sociedade e a funcionalidade, ela prefere o título de campeã.

– Quando vejo foto com 12kg a menos, eu acho estranho, rosto magro. Hoje eu prefiro assim. Alguns elogiam, outros se espantam. Já ouvi “A Marília deve estar usando anabolizante”. Eu tive que entender que precisava ficar forte para ganhar em performance. Não era por estética. Depois as pessoas se acostumam – disse.

Neste ano, Marília se prepara para competições menores, em duplas e equipes. O objetivo da atleta ribeirão-pretana é conquistar o “Open”, marcada para o início de 2018. 

– Vou participar de campeonatos em duplas e equipes, sem grande relevância nacional. Servirão como preparação para o Open, que acontece no começo do ano, para tentar classificar para os regionais. Vou em busca do bicampeonato brasileiro – comentou. 

Objetivo é chegar bem em 2018, para a disputa do Open e do Regional, além de chegar ao bicampeonato brasileiro (Foto: Cleber Akamine)Objetivo é chegar bem em 2018, para a disputa do Open e do Regional, além de chegar ao bicampeonato brasileiro (Foto: Cleber Akamine)Objetivo é chegar bem em 2018, para a disputa do Open e do Regional, além de chegar ao bicampeonato brasileiro (Foto: Cleber Akamine)

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